segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mulheres dão exemplo de empreendedorismo no RN

A presidente da Associação Reciclando para a Vida (Acrevi), Josefa Avelino Cunha, e a proprietária do Talher, Ivone Freire, são as vencedoras da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2010. A solenidade de entrega será na próxima terça-feira (22), no Versailles.

Cleonildo Mello

Ivone Freire vence na categoria Pequenos Negócios

Em nada o requinte de um restaurante self-service em Natal tem ver com o trabalho socioambiental de uma associação que recolhe materiais recicláveis do lixo em Mossoró. A interseção entre os dois empreendimentos está no fato de ter mulheres no comando. E mais: as representantes dos dois negócios são as grandes vencedoras da etapa potiguar do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. A presidente da Associação Reciclando para a Vida (Acrevi), Josefa Avelino Cunha, ganhou na categoria ‘Negócios Coletivos’ e a proprietária do restaurante Talher, Ivone Freire, venceu na categoria ‘Pequenos Negócios’. O Sebrae-RN realiza a solenidade de entrega da premiação na próxima terça-feira (22), às 19h, no Versailles Recepção.

O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é uma ferramenta de estímulo ao empreendedorismo entre as mulheres e de reconhecimento às histórias e iniciativas de sucesso apresentadas a cada ano. Nesta edição, o prêmio faz uma justa homenagem a mulheres que, com talento e visão empreendedora, conseguiram dimensionar os negócios e posiciona-los como referências em cada um dos segmentos onde atuam. O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é promovido pelo Sebrae em parceria com a Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais (BPW Brasil), a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

Das 64 histórias inscritas para concorrer ao prêmio no Rio Grande do Norte, a de Ivone Freire se destacou pela forma como vem administrando o tradicional self-service na capital potiguar. Descendente de franceses e filha do visionário engenheiro Roberto Freire, a empresária tem verdadeira paixão por gastronomia. Entretanto, ela soube fazer do restaurante um negócio propício à inovação. A trajetória de Ivone Freire começou ainda no final da década de 70 quando decidiu abrir a primeira churrascaria com rodízio de Natal, a Toca do Chicão. A experiência serviu de base para a abertura do restaurante Talher há 21 anos. Antes disso, em 1985, Ivone apostou numa marmitaria como ponto comercial, algo inédito naqueles idos, oferecendo opções de quentes e congelados. As marmitarias da cidade funcionavam em residências.

Atualmente, o estabelecimento carrega o emblema de ter sido o primeiro no Nordeste a adotar o sistema de self-service, em que a comida é pesada e paga conforme o peso. Antes, o buffet era pago conforme o prato. “Sempre estive em sintonia com as novidades para implantá-las no Talher. Foi quando meu irmão, que na época morava em Brasília, falou-me que havia um restaurante lá com esse novo serviço. Então, resolvi conhecer e adotar aqui no Talher em 1990”, conta Ivone Freire. Logo após, o modelo foi amplamente utilizado por outros estabelecimentos na cidade. Outra inovação: agora, as comidas são feitas na hora. Os pratos são feitos minutos antes da reposição do buffet.

MAIS INOVAÇÃO

Para minimizar o problema advindo com a proibição de estacionamento na avenida Afonso Pena, onde fica situado o Talher, Ivone encontrou uma saída para não perder clientes, já que, após as restrições de estacionamento na referida via, a rotatividade no restaurante caiu cerca de 25%. A ideia foi criar o sistema de manobristas, uma comodidade regrada a muita responsabilidade por parte da administração do restaurante. A empresária precisou supervisionar de perto o novo serviço. “Ficava muito mais tempo fora do restaurante do que dentro para que não ocorresse nenhuma falha e os clientes se sentissem mais à vontade para entregar a chave do carro em nossas mãos. E tem funcionado devido à credibilidade e confiança que os nossos clientes depositam na gente”.

De fato. O carisma de Ivone Freire e a proximidade com os clientes são as marcas do Talher e são sinais da receptividade da casa. “Trabalho muito para que os sabores agradem, mas também para que os clientes se sintam à vontade, em casa. O mínimo que qualquer estabelecimento desse segmento precisa oferecer é comida saborosa. É o básico. No entanto, o diferencial está no atendimento”. Com uma taxa de crescimento anual em torno de 5%, o Talher recebe por dia uma média de 300 clientes, abrindo somente para o almoço (antes, abria também para ceia). Um fluxo que gera uma receita bruta anual perto de R$ 1,2 milhão.

CAPACITAÇÃO

Na avaliação de Ivone, somente o talento para os negócios não a teria feito chegar aonde chegou. Foi preciso capacitação. Em 1999, concluiu o curso Administração com habilitação em Marketing, ingressou no MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e participou da primeira turma do Empretec no Rio Grande do Norte. A qualificação também é estendida aos funcionários. Cada um recebeu formação conforme a área de atuação. “É muito forte a paixão pela gastronomia, mas alio essa isso com a administração. Essas capacitações me proporcionaram uma nova visão do meu negócio e me fizeram sair da zona de conforto em que me encontrava”, relata a empresária.

A visão estratégica de Ivone não passa pela expansão do restaurante, com a abertura de outras filiais, mas fortalecer a marca Talher como referência de qualidade, personalidade, bom atendimento e gastronomia. “Não posso perder a identidade da casa”.

Por: Agência SEBRAE de Notícias RN

Um comentário:

Francisco Pedro disse...

Faltou comentar um pouco sobre a vida da D. Josefa, ela também tem história. Além do mais faltou uma foto dela para ilustrar melhor. A D. Josefa fez até pranchinha para receber esse premio.