sábado, 7 de novembro de 2009

Seis tendências de mídias sociais para 2010

O Harvard Business Publishing listou seis tendências de mídias sociais para 2010. Segundo David Armano, autor do blog Conversation Starter, essa área passou por um crescimento exponencial em 2009. Só o Twitter aumentou 1.382%. Com a explosão dessas redes, o que o próximo ano nos reserva?

1. A mídia social parecerá menos…social: conforme as redes ficam mais cheias de ruídos, é provável que usuários filtrem o que não é útil para encontrar mais valor em suas redes.

2. Corporações buscarão escala: a Best Buy tem centenas de funcionários que dão suporte ao consumidor via Twitter. Isso é um sinal do que virá nos próximos anos conforme mais companhias buscam cortar custos ou servir melhor os consumidores de forma mais eficiente por meio do uso de tecnologias sociais.

3. Negócios sociais virarão negócios sérios: conforme empresas buscam mais atividade em redes internas e externas, elas irão incluir incentivos e prêmios para que os membros sejam mais ativos.

4. Sua companhia terá uma política de mídia social: de como se portar como um funcionário e o que enxergar como competição, é provável que haja algo formalizado sobre como a empresa vê as mídias sociais e qual o seu papel nelas.

5. Mobilidade será uma atividade social: com 70% das companhias banindo as redes sociais e, simultaneamente, com a ascensão na venda de smartphones, é provável que os funcionários deem vazão aos seus vícios em redes sociais por meio de seus dispositivos móveis.

6. Compartilhar não mais se traduz em email: o New York Times criou um programa para o iPhone que permite ao usuário compartilhar arquivos por meio do Facebook e do Twitter. Muitos outros sites já têm isso. Será cada vez mais comum as pessoas usarem essas redes sociais para compartilhar informações como faziam com listas de email.

Por: Rafael Barifouse - redes sociais Tags: harvard, tendências

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ipea: 18,5 milhões mudaram de classe em três anos

Segundo estudo do instituto, 11,7 milhões de brasileiros deixaram estrato de menor renda entre 2005 e 2008

O crescimento da economia nacional nos últimos anos tem conseguido elevar o padrão de vida no Brasil. Entre 2005 e 2008, 18,5 milhões de brasileiros ascenderam socialmente, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta quinta-feira (05/11). No período, 11,7 milhões abandonaram o estrato de menor renda, enquanto 11,5 milhões passaram ao nível mais elevado de rendimento do país.

Entre 1997 e 2004, o segmento mais pobre da sociedade representava quase 34% da população nacional. Em 2008, esse percentual passou a 26%, a menor participação desde 1995, ilustrando o que o Ipea classifica como “a volta da mobilidade social no Brasil”.

“Depois de ser uma das nações onde havia maior ascensão social no início do século XX, o país passou, durante as décadas de 80 e 90, por um período de estagnação, que termina em 2005”, afirma Márcio Pochmann, presidente do Ipea.

Para fazer o levantamento, o instituto dividiu a população brasileira em três faixas de renda, tomando como ano base 2001. O estrato inferior, com renda domiciliar per capita de até R$ 188, o segmento intermediário, de R$ 188 a R$ 465, e o superior, para rendimentos maiores do que R$ 465, valor do salário mínimo em vigor.

Segundo Pochmann, a ascensão social registrada no período se explica pelo dinamismo do mercado de trabalho. “Mais brasileiros subiram de estrato pela ampliação do emprego formal e, sobretudo, pela melhoria dos rendimentos”, diz.

Entre 2001 e 2008, a renda per capita nacional cresceu 19,8%, impulsionada pelo aumento real do salário mínimo. Durante o período, 55,5% dos brasileiros que passaram da classe baixa para média estavam ocupados e 32% tinham carteira assinada. Dos que migraram da faixa média para a alta, 69,7% estavam empregados e 44,8% tinham carteira assinada.

Perfil da ascensão
O instituto também avaliou o perfil dos brasileiros que conseguiram aumentar seus rendimentos acima do crescimento da renda per capita do país entre 2001 e 2008. A maioria deles, 3,1 milhões, está concentrada na região Sudeste (51,2%), seguida pela Sul, com 1,1 milhão (18,1%), Nordeste, com 991 mil, (16,4%), Centro Oeste, com 462 mil (7,6%), e Norte, com 404 mil (6,7%).
A parcela da população com ascensão social é essencialmente urbana. Apenas 19,8% dos brasileiros que passaram da classe baixa para a média vivem na zona rural. Ela é ainda mais feminina e negra: 51,7% dos que migraram para a classe média são mulheres e 61,1% negros. Em relação à escolaridade, a maioria, 30,1%, tem de quatro a sete anos de estudo.

Por: Elisa Campos

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Inovação inesperada também tem padrão

Red Bull, Wii ou Viagra nasceram de formas surpreendentes. Mas é possível reproduzir o sucesso

Uma história inspiradora para tempos de turbulência, quando as companhias são compelidas a criar produtos e serviços inovadores de maneira ágil e, sobretudo, econômica. Na década de 80, o empreendedor austríaco Dietrich Mateschitz era executivo de uma multinacional alemã na Tailândia. Desgastado com o fuso horário das constantes viagens à matriz, na Europa, foi aconselhado a tomar um tônico cafeinado chamado Krating Daeng, produzido por uma empresa local, a TC Pharmaceutical, e muito popular entre os trabalhadores da construção civil que enfrentam longas e estafantes jornadas. O empreendedor torceu o nariz para o gosto, mas, entusiasmado com seu poder revigorante, voltou à Áustria em 1987, adaptando a bebida ao sabor europeu, reduzindo o teor de açúcar e gaseificando-a. Chamou o novo produto de Red Bull. Foi um desastre inicial com o público-teste. Ninguém gostou do nome, do gosto ou do logotipo. Mateschitz, porém, teimou. Hoje, as vendas do Red Bull alcançam 3,5 bilhões de latinhas anuais, com expansão planejada para China e Índia em 2010.

Como no caso do Red Bull, a inovação surge com frequência de onde menos se espera. Mas graças ao trabalho de pensadores como Christian Terwiesch e Karl T. Ulrich, professores da Wharton School, Eric von Hippel, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), e Scott Anthony, presidente da consultoria Innosight, está ficando cada vez mais claro que é possível ver um padrão mesmo nas inovações inesperadas. Do trabalho desses autores, é possível extrair várias dicas sobre como encontrar a inovação surpreendente. A primeira é possivelmente a mais fundamental. Procure as boas ideias não só dentro do laboratório de P&D. Busque-as em outras regiões geográficas, e também entre inventores e pesquisadores pouco ortodoxos. “As oportunidades não batem à sua porta. Saia à procura delas”, diz Terwiesch.

Assim como fez Dietrich Mateschitz, pode-se importar ideias de mercados geograficamente remotos. A inspiração para a rede Starbucks veio a Howard Schultz das cafeterias italianas. O fenômeno televisivo American Idol nasceu de um programa da televisão alemã chamado Deutschland sucht den Superstar.

Alguns dos maiores problemas das empresas surgem quando
a administração e o marketing pensam com duas cabeças

Outra dica é a de identificar pequenas empresas detentoras de produtos de nicho com potencial amplo, mas negligenciado. É o caso do Wii, da Nintendo, console que revolucionou a indústria de games e criou um segmento novo dentro dela. Ele surgiu em uma empresa na Califórnia chamada Gyration, que desenvolvera um sensor de movimentos da mão para controle remoto de TV – um produto de nicho, na melhor das hipóteses. Vislumbrando seu potencial fantástico, a Nintendo adquiriu a tecnologia para usá-la no Wii Remote, o controle remoto sem fio que detecta e mimetiza movimentos em três dimensões.

Uma fonte de inovação também é a identificação de usuários de ponta e inventores independentes. Os lead users – termo em inglês cunhado por Von Hippel – são consumidores que utilizam os produtos de forma inovadora e os aperfeiçoam por iniciativa pessoal. O caso clássico é o da mountain bike – invenção de um grupo de ciclistas, feita com peças de reposição de bicicletas convencionais. Esse mercado completamente novo entrou no radar da companhia americana Specialized, que lançou a primeira bicicleta desse tipo no mercado e se tornou sinônimo do segmento.

A identificação de inventores é o padrão típico dos capitalistas de risco do Vale do Silício. Em 1998, o empreendedor Andy Bechtolsheim (cofundador da Sun Microsystems) foi o primeiro investidor do Google, assinando um cheque de US$ 100 mil, nominal para a Google Inc., empresa que ainda não existia legalmente. Os autores Terwiesch e Ulrich dizem que boas ideias são achadas até mesmo em jornais e revistas.

Segundo Scott Anthony, da Innosight, também vale muito a pena dar uma segunda chance para ideias fracassadas. Delas surge o inesperado. No início dos anos 90, o laboratório Pfizer produziu o protótipo de uma droga para angina chamada Sildenafil, que não deu certo. Ela tinha, contudo, um efeito colateral interessante, na ereção. E assim nasceu o Viagra. Estatisticamente, segundo Clayton Christensen, autor de O Dilema do Inovador, 93% das ideias bem-sucedidas começam na direção errada. Diante disso, Terwiesch e Ulrich argumentam que, no processo de seleção de sugestões dentro de uma empresa, vale o “quanto mais, melhor”. E sem medo de errar. “É preferível ter 995 ideias ridículas e 5 geniais do que mil simplesmente boas.”

Por Época Negócios

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Quer aprender a inovar?

Confira as dicas de Rowan Gibson, um dos grandes especialistas na área

Muito se ouve sobre a importância da inovação para a sobrevivência das empresas, especialmente em tempos de crise, quando a retomada do crescimento das vendas se torna ainda mais urgente. Mas como organizar uma companhia para torná-la inovadora? O inglês Rowan Gibson, especialista em gestão, viaja o mundo dando palestras e consultorias para responder exatamente a essa questão. Entre seus clientes de trabalhos anteriores, estão multinacionais como Nokia, Philips, Bayer e Siemens.

Segundo Rowan, para inovar, é preciso tomar quatro atitudes básicas: dar tempo e espaço a seus funcionários, apostar na diversidade, estimular as conexões entre áreas e contato entre os funcionários e fomentar insights. “Não basta apenas investir em pesquisa e desenvolvimento. A GM foi uma das empresas que mais gastou com isso nos últimos anos e acabou onde acabou”, diz.

Tempo e espaço – “Você já viu alguém ter uma grande idéia no escritório em meio aos telefones tocando e às constantes interrupções?”, diz. Para o especialista, uma empresa exemplar nesse sentido é o Google, que reserva um determinado período do expediente para os funcionários desenvolverem projetos próprios. Resultados: como soam Google Earth e Google Talk?

Diversidade – Não é apenas uma questão gênero e raça, mas principalmente de diversidade de pensamento. Profissionais muito parecidos tendem a ter as mesmas conversas, as mesmas idéias e a trabalharem da mesma maneira, sem trazer pensamentos frescos para as empresas. O ideal é que entre seu time de funcionários haja jovens e profissionais vindos de outras empresas e setores.

Conexão – “A maioria das grandes idéias não são inteiramente novas, elas partem de algo que já existe. Foi assim com o eBay. Há quantos anos não existem os leilões? Há quantos anos as famílias não vendem objetos que já não desejam mais? Isso sempre existiu, o que fez o eBay único foi ter juntado tudo isso na internet”, defende Rowan.

Insights – Ter insights não é nada fácil é verdade, caso contrário todos nós poderíamos estar milionários. Analisando 200 perfis de inovadores natos, o especialista chegou a algumas características presentes na maioria deles.

Desafiar ortodoxias parece ser essencial para criar algo inovador. Exemplo? Agricultores japoneses passaram a plantar melancias quadradas, já que as redondas são pouco práticas para serem cortadas e armazenadas.Ciência de outro mundo? Não, elas são plantadas em uma caixa para crescerem dessa maneira. Hoje, as melancias quadradas são um hit no Japão.

“A Apple desafiou o entendimento de que PCs deveriam ser feios, assim como a Tata, ao criar o Nano, ignorou que um carro devesse custar por volta de US$ 20 mil”, exemplifica Rowan.

Saber identificar tendências é essencial para poder lucrar com elas. O Twitter é um desses casos. Em 2008, o microblog contava com 1,6 milhão de usuários. Em 2009, um ano depois, já são 32,1 milhões.

Outra dica do especialista é saber tirar proveito dos recursos de sua empresa de novas maneiras. A Disney, referência em animação e parques temáticos, tem investido nos últimos anos em peças teatrais na Broadway. Elas têm atraído um dos maiores públicos da história.

Um último ponto é saber antecipar as necessidades do consumidor. Descobrir o que ele deseja antes de ele querer. Uma empresa de telefonia, por exemplo, desenvolveu um celular voltado para mulçumanos. O aparelho avisa o usuário do horário das rezas e, através de seu GPS, informa a direção de Meca.

Então é fácil inovar? Claro que não. Mas colocado dessa maneira até parece, não é mesmo? Boa sorte, futuro inovador.

Por Elisa Campos

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Marcas perdem valor sem inovação e relação custo-benefício pouco clara

A soma das 100 marcas líderes mundiais caiu 4,6% este ano, com US$ 1,21 trilhão para US$ 1,15 trilhão

Em ano de caos financeiro, não foram só os bancos de varejo, os bancos de investimento e as administradoras de cartão de crédito que perderam valor quando o assunto é influência da marca. Ícones do mercado de consumo, como as motocicletas Harley-Davidson, os cigarros Marlboro, os eletroeletrônicos Sony, a rede de cafeterias Starbucks, a varejista de roupas Gap e os computadores Dell recuaram dois dígitos em valor de marca, segundo a 29º edição do levantamento Best Global Brands, realizado pela consultoria internacional Interbrand.

O estudo, que leva em conta dados de balanço com ano fiscal encerrado entre dezembro de 2008 e junho de 2009, aponta que as marcas que deixaram de investir por causa da crise ou que não ofereceram uma relação clara de custo-benefício ao consumidor perderam espaço. "As empresas que conseguiram manter investimentos em inovação e tecnologia, com foco no médio e longo prazos, sabendo adaptar o seu portfólio para um novo momento do mercado, sem menosprezar a importância da qualidade, conseguiram se manter e até crescer no ranking", afirma Alejandro Pinedo, diretor-geral da Interbrand no Brasil.

A soma das 100 marcas líderes mundiais caiu 4,6% este ano, com US$ 1,21 trilhão para US$ 1,15 trilhão. Novas marcas, como Burger King, Puma, Burberry, Polo Ralph Lauren, Lancôme e Campbells passaram a integrar o ranking da Interbrand. Em contrapartida, outros nomes fortes, como Motorola e FedEx, ficaram de fora do grupo das top 100.

"A Motorola baseou sua estratégia no modelo de celulares ‘flip’ (abre e fecha), que ficou ultrapassado, com o crescimento de competidores como a Samsung nessa área", diz Pinedo. Procurada, a Motorola do Brasil não quis comentar a saída do ranking. Na edição de 2008, a marca já tinha perdido dez posições, ocupando o 87º lugar. Já a FedEx, afirma o consultor, sofreu com a queda no nível de encomendas nos Estados Unidos, seu maior mercado. Além dessas duas, também ficaram fora da lista os bancos ING e Merril Lynch, a seguradora AIG, a rede de hotéis Marriott e os licores Hennessey.

As maiores perdas foram verificadas nas marcas do mercado financeiro: UBS, Citigroup, American Express e Morgan Stanley recuaram entre 50% e 26% em valor de marca. Não houve variação no ranking das cinco primeiras marcas - Coca-Cola, IBM, Microsoft, GE e Nokia -, mas essas duas tiveram variação negativa. A GE, devido aos negócios financeiros do conglomerado, perdeu 10%.

Na tendência oposta, as cinco marcas que mais ganharam mercado pertencem à área de tecnologia – Google, Amazon e Apple – e a de consumo (Zara e Nestlé). "As empresas que até pouco tempo eram chamadas da 'nova economia' conseguiram atravessar bem a crise, com soluções inovadoras, como é o caso de Google e Apple, ou pelo fato de não terem capital em ativos que se desvalorizaram, como no caso da Amazon", diz Pinedo. Já a Zara, afirma, que não investe em publicidade, conseguiu manter o investimento em lojas, grandes e bem localizadas, oferecendo produtos de qualidade, em sintonia com as passarelas, a preços competitivos. "Diferentemente da Gap, que perdeu o foco", diz.

Já a Starbucks sofreu com o avanço do McDonald’s na área de cafeteria, apresentando um menu bem mais acessível. A Nestlé, por sua vez, cresceu explorando mercados emergentes.

O ícone Harley-Davidson, que caiu da 50ª para 73ª posição, no entanto, precisa se reinventar, segundo Pinedo. "A marca é uma lenda, mas até que ponto ela quer crescer apostando apenas nisso?".

Por Valor OnLine

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Gastos com inovação crescem na crise

As empresas brasileiras gastaram 18,7% a mais em P&D em 2008, frente às despesas com o setor em 2007

Mesmo em meio à recessão mundial, as mil empresas de capital aberto que mais gastam em pesquisa e desenvolvimento (P&D) ao redor do globo aumentaram em 5,7% seus investimentos na área em 2008, em relação a 2007. Já no Brasil, as companhias listadas gastaram 18,7% a mais , segundo pesquisa anual de investimentos globais em inovação realizada pela consultoria Booz & Company.

No ano passado, as mil empresas analisadas investiram US$ 532 bilhões em P&D. No entanto, a alta foi um pouco inferior à média dos cinco anos anteriores, de 7,1%. O faturamento das companhias respondeu aos investimentos, crescendo 6,5% no período e alcançando US$ 15 trilhões, mas ficou abaixo dos 8,6% de anos anteriores. Os gastos com inovação continuaram representando 3,6% da receita.

No Brasil, Embraer, Petrobras e Vale gastaram US$ 2,2 bilhões no desenvolvimento de produtos e processos, montante 18,7% superior ao de 2007. A mineradora investiu 48,4% a mais, o equivalente a US$ 1,1 bilhão. A Petrobras manteve o gasto estável em US$ 929 milhões, enquanto a Embraer reduziu o investimento em inovação em 17,7%, para US$ 107 milhões.

Com o desempenho, as companhias nacionais responderam por 0,41% de todo o investimento privado em inovação no mundo em 2008. O faturamento das empresas brasileiras alcançou US$ 161,9 bilhões, 21,2% a mais do que em 2007. De acordo com a pesquisa, entre os Brics, o Brasil ficou atrás apenas da China, que investiu US$ 2,7 bilhões. Das mil companhias analisadas pelo estudo, quatro eram da Índia, 15 da China e duas da Rússia.

Mudanças

A pesquisa também mostrou que a inovação é considerada cada vez mais importante para a estratégia corporativa. Mais de 90% dos entrevistados disseram que ela é um fator crítico para que suas empresas estejam preparadas para o reaquecimento da economia e 70% deles afirmaram que suas empresas estão mantendo ou aumentando seus gastos em P&D este ano.
“Reduzir os esforços de inovação seria o equivalente a um desarmamento unilateral em tempos de guerra”, diz Waldir Viera, sócio da Booz & Company Brasil. “Este é um momento oportuno para estabelecer uma vantagem em relação aos concorrentes, especialmente os mais fracos, que eventualmente tenham que economizar em P&D por questões financeiras”.

O aumento dos gastos com P&D não veio sem um rigor maior em sua alocação. O estudo mostra que sete de cada dez empresas estão agora ajustando suas estratégias para captar melhor as exigências do consumidor -- e que metade dos entrevistados está se tornando mais conservador com relação aos filtros aplicados ao aprovar novos projetos de P&D. Além disso, quatro em cada dez estão se tornando mais avessos aos riscos, assim como estão aprendendo a abortar projetos ruins.

Impactos da recessão

A desaceleração econômica atingiu de maneira diferente cada setor. Em 2008, dois terços dos gastos com P&D se concentraram em três setores: informática e eletrônicos (27%), saúde (23%) e automotivo (16%). Foi exatamente este último que mais sofreu. Nove entre as dez empresas que mais gastam em P&D na categoria cortaram suas despesas com inovação. Mais: 60% das companhias do segmento reduziram seus gastos em comparação com 25% do ano anterior. O setor, como um todo, entretanto, aumentou suas despesas em 0,6%.

O segmento de software e Internet, por outro lado, claramente percebeu a recessão como uma oportunidade. Oito das dez companhias que mais gastam com P&D aumentaram suas despesas no ano passado. Os gastos no setor de informática e eletrônicos cresceram mais de 4%. O setor de defesa, o único em que os gastos com inovação registraram queda, sofreu com recuo de 2,3%.

Fonte: Época Negócios.

domingo, 1 de novembro de 2009

Natal, época de ganhar dinheiro

Não dá para escapar dos gastos extras do fim do ano: presentes, ceia... E se tem quem compre, tem quem venda

Começou novembro e oficialmente o fim do ano chegou. As lojas começam a se preparar para a melhor época de vendas do ano e os consumidores já fazem as contas de tudo que vão gastar no encerramento de 2009. Na lista geralmente estão o presente de amigo secreto da empresa, a lembrança dos clientes e colaboradores, a decoração da casa, e, para muitos, toda a programação de férias. Isso sem falar dos tradicionais gastos para a festa do Natal e para a comemoração de Réveillon.

Mas nem só de gastos é feito o fim do ano. Quem quiser aproveitar a época para faturar mais e garantir um bom início de 2010 pode se preparar e apostar em trabalhos sazonais. As lojas reforçam as equipes de vendas contratando funcionários temporários que muitas vezes conseguem com essa oportunidade a chance de um trabalho fixo para o ano seguinte. Também são reforçados os quadros de fábricas e de pequenas empresas que produzem artigos natalinos. Mas são as pessoas que trabalham por conta própria que arregaçam as mangas e garantem a mesa farta na hora da ceia.

A injeção de recursos do 13º salário, somada a um certo ``espírito natalino`` que deixa as pessoas mais sensíveis, torna o fim do ano o período ideal para quem quer gastar e também para quem quer faturar. A expectativa é que sejam injetados na economia de Fortaleza cerca de R$ 456 milhões até o dia 20 de dezembro, data limite para pagamento da segunda parcela do benefício dos servidores públicos estaduais e municipais, além de aposentados e pensionistas.

Isso significa que quem tiver produtos para vender ou serviços a oferecer pode apostar com a certeza de que haverá dinheiro circulando na praça. De acordo com as últimas pesquisas do Ministério do Trabalho e Desenvolvimento Social, os empresários já perceberam isso e começaram a contratar em setembro, mês em que o índice geral de empregos teve alta de 0,24%, sendo as lojas de departamento as que mais contrataram. De acordo com o presidente da Sindilojas, Cid Alves, a expectativa é que sejam contratados nos próximos três meses entre quatro mil e cinco mil pessoas para trabalhos temporários no comércio da capital cearense.

Por: Henriette de Salvi

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Carros flex revivem o Pró-Álcool

Programa fracassou nos anos 1980, mas o surgimento de carros bicombustíveis renovou a força do álcool como combustível que move o país

Quando o mundo enfrentava grave crise econômica em 1973 por causa do forte aumento do preço do petróleo no mercado internacional, gerando inflação e desemprego em economias ricas e pobres, o Brasil apostou na substituição em larga escala da gasolina pelo álcool como principal combustível dos carros que circulavam no país. Esse foi o principal objetivo do Pró-Álcool ou Programa Nacional do Álcool, idealizado pelo físico José Walter Bautista Vidal e pelo engenheiro Urbano Ernesto Stumpf e lançado pelo governo brasileiro em 1975.

Na época em que encher o tanque de gasolina custava uma fortuna e o preço do açúcar estava muito baixo, a solução de usar a cana-de-açúcar para produzir álcool para abastecer os veículos foi considerada uma grande, e rentável, sacada do governo. Em 1976, a produção era de 600 milhões de litros; em 1987, chegou a 12,3 bilhões de litros. Com financiamento público, donos de usinas de cana encontraram uma forma de enriquecer produzindo o novo combustível e as montadoras se apressaram para reformular os carros a gasolina e fabricar carros movidos a álcool. O primeiro foi o Fiat 147, em 1978. A aprovação foi total. Mais de 10 milhões de carros a álcool foram fabricados até 1986.

Mas governo não se preparou para dar continuidade ao Pró-Álcool num cenário econômico sem crise. Quando o preço do petróleo começou a cair e o do açúcar a subir, o programa entrou em crise. Mesmo subsidiados com dinheiro público, usineiros preferiram produzir açúcar e o álcool combustível começou a desaparecer das bombas dos postos brasileiros, chegando ao ponto de custar mais caro que a gasolina em 1987. Os donos de carros a álcool ficaram sem opções e a indústria automotiva interrompeu a produção de veículos movidos pelo combustível. Era decretada a falência do Pró-Álcool.

O álcool só voltou a mover os carros brasileiros em larga escala com o desenvolvimento da tecnologia flex-fuel ou bicombustível, que faz um motor funcionar com álcool ou gasolina, à escolha do motorista. Os primeiros carros flex fora fabricados nos Estados Unidos, como resposta a uma cobrança a indústria automobilística de fabricar veículos menos poluentes.

O Brasil decidiu adotar a tecnologia e hoje lidera produção e vendas de carros flex no mundo. Em 2008, foram quase 2 milhões de carros fabricados no país, um dado que renova a força do álcool como como combustível que move o país.

Fonte: R7

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Imposto, o grande vilão dos combustíveis

Além dos custos de produção, a tributação encarece o preço do produto no país

O álcool, a gasolina e o diesel percorrem um longo caminho até chegar à bomba dos postos onde você enche o tanque do seu carro. Ao longo do trajeto, o combustível absorve vários tipos de custos, como produção e transporte, que formam o preço que você conhece. Mas são os impostos que mais pesam no valor final que você paga.

Para cada litro de gasolina, 42% do preço correspondem à cobrança de ICMS (Imposto Estadual sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

O mesmo vale para o diesel, só que com alíquotas menores. Na bomba, os impostos sobre o combustível representam cerca de 23% do preço final.

Já o álcool tem um preço menor porque sua produção é mais simples e barata, a partir da cana-de-açúcar, e a cobrança de impostos também são mais brandas. Não há incidência da Cide sobre o álcool, por exemplo. É cobrada apenas PIS/Cofins e ICMS, que representam cerca de 18,4% do valor do produto, de acordo com cálculo da Fecombustíveis, entidade que reúne empresas distribuidoras de combustíveis de todo o país.

Fontr: R7

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Exportadores estão menos otimistas

A recuperação da indústria voltada à exportação segue ainda abaixo da retomada geral do setor industrial do País. Levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, revela que os resultados mais recentes do Índice de Confiança da Indústria (ICI) não são tão otimistas quando concentrado apenas neste segmento. Em um universo de 66 exportadoras pesquisadas - com mais de 50% de seu faturamento em vendas externas -, o ICI foi de 86,9 pontos em setembro, o menor nível para o mês em oito anos. Por esta tabela, resultados abaixo de 100 pontos indicam pessimismo.

O câmbio é apontado como o principal motivo para as expectativas adversas da indústria exportadora. O diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ressalta que, na comparação com meses anteriores, houve melhora na confiança do exportador em setembro. Mas acredita que o desempenho este ano ainda está longe do apresentado em 2008.

A previsão mais recente da AEB para 2009 é que o volume de exportações brasileiras atinja US$ 153 bilhões, saldo 22,3% inferior ao apurado em 2008, quando as vendas externas brasileiras bateram US$ 197 bilhões. A AEB tende a revisar para cima a estimativa. “Mas mesmo com a revisão, não chegará, nem de longe, perto do desempenho que tivemos no ano passado”, acrescentou.

O coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, avalia que a retomada da economia brasileira continua atrelada ao consumo interno, cuja demanda se recupera de forma mais rápida. “A demanda externa está se recuperando, mas ainda de forma muito lenta e gradual”, afirmou. O ICI dos exportadores, calculado em escala de 0 a 200 pontos, também foi menor do que o da indústria da transformação como um todo, que alcançou 109,5 pontos.

“O mês de setembro apresentou uma grande melhora em relação a agosto, quando a confiança dos exportadores foi de 71,1 pontos. Mas ainda está abaixo do registrado em 2008”, disse Campelo. No levantamento da fundação, é possível perceber que o ICI no primeiro semestre de 2008 entre as companhias exportadoras ficou acima de 100 pontos (o que significa otimismo), em todos os meses daquele período. No primeiro semestre de 2009, o ICI das exportadoras atingiu níveis entre 40 e 60 pontos.

O principal problema observado por Castro para a rentabilidade dos exportadores é o câmbio. Para a AEB, um “patamar de equilíbrio” para o dólar seria em torno de R$ 2,20. Nesse nível, a moeda norte-americana seria suficiente para angariar lucro nas exportações e, ao mesmo tempo, não elevaria tanto os custos dos empresários com a compra de insumos importados.

Fonte: Caderno Economia Jornal Tribuna do Norte