segunda-feira, 5 de julho de 2010

Com o fim da exclusividade nos cartões, lojistas saem ganhando

Taxas cobradas pelas credenciadoras devem cair de 20% a 30% nos próximos cinco anos

Por Elisa Campos

Este 1° de julho marca o início de uma nova era para o mercado de cartões no Brasil. Com o fim da exclusividade entre as bandeiras de cartões e as operadoras, a partir de hoje, as duas maiores credenciadoras do país, Cielo (ex-Visanet) e Redecard, ganham permissão para trabalhar com qualquer bandeira do mercado, incluindo Visa e Mastercard, desde que haja um acordo comercial. Com a medida, o comerciante não precisará mais manter duas ou mais máquinas em seu estabelecimento, uma para cada bandeira. E o melhor: a concorrência no segmento deve aumentar, favorecendo os lojistas.

O mercado de cartões movimenta no Brasil mais de R$ 500 bilhões por ano em cerca de seis bilhões de transações, de acordo com a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). O setor está em franca expansão, tendo crescido 23% em faturamento no primeiro trimestre deste ano. Em 2009, mesmo com a economia combalida no início do ano, a segmento encerrou o período com alta de 20%. Neste cenário positivo, a exclusividade das bandeiras favorecia ainda mais os líderes de mercado.

Mas a situação começa a mudar. A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) estima em R$ 1,2 bilhão a economia para os comerciantes com a mudança. “Os lojistas, principalmente os micro e pequenos empresários, tinham poder de barganha próximo a zero para negociar com as credenciadoras. Não havia competitividade. E quanto menor era a empresa, pior era a situação. Com a quebra do ‘monopólio’, poderá haver redução nos custos para o comerciante”, afirma Fernanda Della Rosa, assistente econômica da Fecomercio.

Para trabalhar com cartões, os lojistas pagam duas taxas: o aluguel da máquina, de R$ 75 a R$ 140 mensais, e uma taxa administrativa, cobrada sobre o valor de cada venda, que varia de 3% a 5%. É este o custo que mais pesa para o comerciante e que deve começar a cair. A consultoria AT Kearney prevê que a maior concorrência possa derrubar as taxas de 20% a 30% nos próximos cinco anos. “ É o que temos observado nos países que passaram pela mesma mudança”, diz Ilnort Saldívar, diretor da AT Kearney.

Dois gigantes
A partir de hoje, por causa das mudanças, a Cielo passar a trabalhar também com a bandeira Mastercard e a Redecard com a Visa. Apesar da maior concorrência que vão enfrentar, as empresas, pelo menos no discurso, dizem não temer os impactos do fim da exclusividade. “Achamos que a mudança trará melhores serviços e deve estimular o crescimento do setor”, afirma Roberto Medeiros, presidente da Redecard. Apesar de não revelar a previsão de expansão para este ano, o executivo garante que as expectativas para 2010 são positivas. “No primeiro trimestre de 2010, conquistamos 200 mil clientes”. No período, a credenciadora lucrou R$ 352,6 milhões, uma alta de 11,2% em relação ao primeiro trimestre de 2009.

Com 1,7 milhão de clientes, a Cielo repete o tom otimista. “Isso nos abre a oportunidade de lançar novos produtos”, afirma Rômulo de Mello Dias, presidente da empresa. A empresa anunciou nesta quinta-feira uma parceria com o Bradesco para também aceitar os cartões da American Express a partir de amanhã, dia 2 de julho. Atualmente, a Amex conta com 400 mil estabelecimentos comerciais credenciados no país.

Apostando na fidelização do consumidor para não perder clientes, a Cielo dará vantagens para os comerciantes que usarem apenas suas máquinas para realizar as transações. “Além de encantar com a qualidade da nossa rede, iremos oferecer benefícios para os lojistas que concentrarem nossos produtos, como pacotes mais em conta”, diz Dias.

Os investimentos na preparação para esta nova etapa foram pesados para as duas companhias. Para aceitar também a bandeira Mastercard, a Cielo desembolsou R$ 140 milhões para adaptar sua estrutura, R$ 39 milhões no primeiro trimestre deste ano. Já a Redecard, embora não divulgue, fez um grande aporte para incorporar a bandeira Visa. De um milhão de máquinas em operação que possui, a empresa precisou trocar 230 mil para torná-las aptas às transações realizadas com cartões Visa. Juntas, Cielo e Redecard respondem por mais de 90% do mercado de credenciadoras no país.

Novos negócios
O fim da exclusividade também abre as portas para novas oportunidades de negócio. A empresa de processamento CSU sabe bem disso. Desde 2008, a companhia investiu R$ 30 milhões para aproveitar esse momento. A partir de agora, a empresa, que oferece serviços às emissoras de cartão de crédito, quer também passar a oferecer suporte para companhias que queiram se tornar credenciadoras de cartões, competindo com a Cielo e a Redecard.

“Até agora, com a exclusividade das bandeiras, era muito difícil alguma empresa entrar nesse mercado. Não valia a pena. Agora, com a mudança, passa ser vantajoso. O setor de credenciamento é muito rentável no Brasil. Em média, o lucro líquido do segmento é hoje de 43% do faturamento”, afirma Décio Burd, diretor de relações com investidores da CSU. Pelo visto, com o fim da exclusividade, este é apenas o primeiro capítulo de muitos que veremos no ramo de cartões nos próximos anos.

Fonte: Época Negócios

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Jovem Empreendedor - Suhas Gopinath

Aos 17 anos, Suhas Gopinath foi reconhecido como “World’s Youngest CEO” por veículos como BBC e Washington Times. Ao longo de sua carreira (ainda muito promissora) já foi reconhecido por várias escolas de negócios e empreendedorismo na Índia e no resto do mundo.

Suhas é indiano e mora em Bangalore. Atua como CEO e Presidente da Globals Inc., empresa que ele fundou aos 14 anos e que rapidamente cresceu internacionalmente e está presente em 11 países.

Algumas outras honras que ele recebeu:

* 2007 – “Young Achiever Award” pelo Parlamento Europeu.
* 2008/2009 – um dos “Young Global Leaders” pelo Fórum Econômico Mundial.
* 2009 – faz parte do conselho de TIC do Banco Mundial

1- Como você começou sua carreira como empreendedor?
Apesar de alguns contra-pesos, como ninguém da minha família ser envolvido em negócios e querer ser um veterinário quando estava na escola, acabei conhecendo a internet através do meu irmão mais velho num cyber café. Fiquei completamente fascinado pelo mundo da internet, mas eu tinha um problema, pois por volta de 1999-2000 uma hora de internet num cyber café custava 10 rúpias e minha mesada era de 25 rúpias.

Como o cyber café ficava fechado todos os dias entre 13 e 16h para almoço, enxerguei uma oportunidade e fiz um acordo com o dono da loja: eu cuidaria da loja durante essas horas para que seu faturamento aumentasse, mas em contrapartida não pagaria pelo uso da internet. Assim, passei grande parte das minhas horas aprendendo como construir websites e, depois de alguns meses, comecei a construir meu próprio portal, mirando oferecer suas habilidades de desenvolvimento web como um freelancer para pequenas e médias empresas dos EUA.

Foi muito difícil convencer empresas a comprarem meus serviços, já que todas queriam saber minhas qualificações acadêmicas e ficavam inseguras quando viam que era um garoto do colegial que queria ser seu freelancer para desenvolvimento web; foi aí quando meu espírito empreendedor deu uma guinada e decidi um dia abrir uma empresa que não recrutaria olhando para a parte acadêmica do candidato.

Quando uma empresa nos EUA me ofereceu uma bolsa de estudos para estudar lá e trabalhar para eles nos finais de semana, eu não aceitei. Sempre quis ser um empreendedor e foi quando, aos 14 anos, em 2000, abri a minha empresa.

2- Quais foram os desafios que você enfrentou como um empreendedor? Como você os superou?
Como falei, ser muito novo não ajudou muito no começo e na verdade até hoje atrapalha às vezes. Na última vez que fui convidado pra falar num seminário, não permitiram minha entrada já que pensaram que eu era um estudante, mas me apresentei pra eles como um dos palestrantes!

As competências são certamente um dos mais fortes critérios de escolha para um novo negócio, mas muitas vezes o que importa é quem é a pessoa que faz acontecer. Às vezes parceiros de negócios sentem-se inseguros vendo minha idade. Quando eu tinha 17 anos, uma das empresas parceiras não me autorizou a asssinar um contrato e exigiu um maior de 18 anos para isso. Além disso, é bem complicado lidar com agências governamentais na Índia sendo menor de idade e com uma família de classe média não inserida no mundo dos negócios.

3- Que hábitos você ainda mantém dos seus primeiros dias como um empreendedor?
Não gastar muito dinheiro e levar uma vida modesta! Eu ainda uso meu tempo livre como voluntário em organizações que ajudam animais. Na vida profissional, eu tento ao máximo garantir uma grande harmonia com meus colegas, e garantir que sou acessível a todos os funcionários.

4- Qual é a sua mensagem para jovens empreendedores que estão enfrentando dificuldades parecidas com as que você teve?
Eu peço fortemente que jovens optem pelo empreendedorismo, não só como uma forma de liberdade para inovação, como também uma forma de contribuir com o crescimento econômico de sua região e, principalmente, como uma forma de ser socialmente responsável oferecendo empregos a outros jovens.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Começou a ABF Franchising Expo 2010

Teve início nesta quarta-feira a 19ª ABF Franchising Expo, a maior feira de franquias da América Latina, que estará no Pavilhão Vermelho do Expo Center Norte em São Paulo até o próximo sábado, 12 de junho. O presidente da ABF, Ricardo Bomeny, fez a abertura oficial do evento. Estavam presentes o também o Nabil Sayhoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Marco Mastrodonankis, presidente da Brasil Trade Show, organizadora do evento, Toshio Misato, prefeito do município de Ourinhos, que mantém uma parceria com a ABF o representante do Ministério de Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), Maurício Duval, além de outras autoridades ligadas ao franchising.


O presidente da ABF falou sobre o crescimento e as expectativas do setor: `O momento do franchising no Brasil é ímpar, estamos esperançosos com o crescimento do setor, e em especial da feira, que teve um aumento de 25% no espaço e deve movimentar R$ 99 milhões em negócios`, afirmou Bomeny.

Em seguida deu a palavra ao presidente da Alshop Nabil que exaltou a parceria com a ABF como muito importante para o desenvolvimento do comércio de todo o Brasil. Maurício Duval, do MDIC também ressaltou a importância do setor para a economia brasileira. `Estamos identificando os mercados de interesse para o País e o franchising sem dúvida é um deles`, concluiu. Ao final do discurso foi realizado o corte oficial da fita inaugural e uma caminhada pela exposição.

ABF Franchising Expo

A feira de franquias da ABF conta com mais de 300 expositores e oferece diversas oportunidades para quem quer investir no próprio negócio, pois é composta por empresas de praticamente todos os setores da economia. O público visitante tem a chance de conhecer um pouco mais sobre o mercado de franchising.

A programação segue até o dia 12/06 com diversas atividades paralelas. Na exposição será possível conhecer os planos de expansão das redes já consolidadas e também as novas opções de franquia. A lista completa dos expositores está disponível no site www.abfexpo.com.br.

Fonte: Portal ABF

terça-feira, 8 de junho de 2010

A cultura da gestão de pessoas nos pequenos negócios

Falar de gestão de pessoas é algo bem distante das prioridades do empresário de micro empresa. Esta frase costuma soar um tanto quanto agressiva aos ouvidos de quem lê, porém, está calcada na realidade dos pequenos negócios.

É claro, é necessário esclarecer o que isto traduz e representa. Num universo onde praticamente 90% da constituição dos pequenos negócios são familiares, é imprescindível um olhar sob uma ótica realista.

Lógico, gostaria de estar agora escrevendo sobre um determinado estudo do impacto da implantação da gestão por competência nos negócios; mas a realidade gritante do dia-a-dia me reporta ao presente real.

E o presente real dos pequenos negócios é o LUCRO. Os negócios precisam sobreviver, e se possível, trazer uma certa margem de lucro aos empresários. Portanto, numa escala de prioridades, elencamos: venda, pagamento de compromissos, escolha de melhores fornecedores, escala de produção, fidelização de clientes, qualidade.

Outros temas como Responsabilidade Social, Gestão de Pessoas, são secundários. E são tratados como tal, relegados a um planejamento futuro. A cultura de gestão de pessoas ou ainda como Recursos Humanos, torna-se uma preocupação na fase de crescimento da empresa, quando ela passa de micro para pequena e atinge certa estabilidade que pede uma organização interna onde tanto o empresário quanto o funcionário podem se ver nos diversos processos da empresa com funções, responsabilidades e remuneração delimitadas.

Nesta fase é comum o empresário buscar alternativas de construção de um plano de carreira ou plano de cargos e salários. A legislação trabalhista é clara neste sentido e os sindicatos estão solícitos em suas negociações. A dificuldade que notamos mais explicitamente diz respeito a benefícios que as empresas acabam cedendo aos funcionários, mas não os regularizam como benefícios reais e incorporados aos salários; ou não vêem a ação como um beneficio e alternam sua cessão, o que pode causar uma grande dor de cabeça futura numa ação judicial. Um exemplo disto é dia destes um empresário que concedia cesta básica a todos os funcionários nos momentos em que a empresa tinha maior lucro, e em períodos de baixa venda retirava o beneficio. Ora, para os funcionários esta ação já era de direito, e isto causou sérios problemas para a empresa, que se viu de repente vilã em vários processos judiciais movidos por ex-funcionários. Isto, infelizmente, é um procedimento muito adotado por empresários de pequenos negócios, que agem sem muito profissionalismo nesta questão de “ajuda informal” aos seus funcionários.

O que orientamos aos empresários é que sempre vejam a empresa pela ótica da possibilidade da política do que podem fazer com a visão do que devem fazer por Lei. Traduzindo: Fazer o que diz a Lei e acrescentar num plano de carreira o que for possível pela empresa manter acordado numa negociação sindical do setor.

O mundo mudou. Sabemos hoje que as pessoas são ativos de uma empresa, independente de sua configuração e tamanho. Profissionalizar relações pessoais é necessário e importante, pois na maioria das vezes no acompanhamento de casos de empresários que nos procuram com esta dúvida percebemos que muitos já realizam grande parte de plano de carreira com salários e condições adequadas e benefícios, mas informalmente, sem o devido respaldo de um sindicato, por exemplo.

Implantar Recursos Humanos ou Gestão de Pessoas numa pequena empresa não é nada sofisticado, ou não deveria ser; se esta sendo, há algum problema.

Fonte: Beco com saída (http://becocomsaidasebrae.wordpress.com) - Consultoria Sebrae-SP

domingo, 6 de junho de 2010

A força do boca-a-boca das redes sociais

Os brasileiros não só são fanáticos por redes de relacionamento como também estão bastante atentos ao que se fala sobre marcas e produtos no ambiente virtual.

A constatação é de uma pesquisa conduzida pela agência de publicidade F/Nazca e pelo Datafolha. Segundo mostram os dados, 43% dos internautas brasileiros levam em consideração a opinião de outros internautas no momento de optar por uma ou outra marca ou escolher um produto – índice que sobe conforme o nível educacional e a renda (54% para internautas com nível superior e 49% para os que pertencem às classes A e B). “Essa é uma característica típica do internauta formador de opinião, mas que tende a crescer e a se popularizar”, afirma Fernand Alphen, diretor da F/Nazca.

As empresas dedicam uma atenção especial a essa realidade, e as que lidam com produtos voltados aos jovens começam a intensificar a comunicação pela web. A AmBev, por exemplo, reformulou recentemente sua estratégia online para a marca Skol. Antes dispersas por vários websites, as ações da empresa foram agora reunidas em um único portal, onde o consumidor encontra desde ferramentas para viralizar o conteúdo até serviços como a previsão virtual do tempo. A equipe da Skol monitora tudo o que se fala da marca nas redes de relacionamento. “A ideia é agir rapidamente em caso de problemas e reclamações”, diz Sérgio Eleutério, gerente da plataforma jovem da Skol.

sábado, 29 de maio de 2010

Projetos ambientais para a Copa de 2014 já somam R$ 24 bi

Na oficina foram discutidos os procedimentos para licenciamento ambiental dos projetos que serão executados nas 12 cidades-sede do evento

Já existem 86 projetos ambientais aprovados em diversos níveis de governo como parte dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, com investimentos que somam de R$ 24 bilhões. 12 estão vinculados a obras nos estádios das cidades-sede, 53 são de mobilidade urbana, 14 para aeroportos e sete para portos. A informação é do coordenador da Câmara de Meio Ambiente da Copa, Cláudio Langone, que participou da Primeira Oficina de Licenciamento Ambiental dos Empreendimentos Prioritários para a Copa de 2014, que ocorreu nesta sexta-feira, 28, em Brasília e que contou com a participação de representantes do governo federal, dos estados e dos municípios.

Durante os debates, o representante do Amazonas, Emanuel Guerra, defendeu a tese de que os investimentos feitos pelos estados e municípios em meio ambiente sejam recompensados com algum tipo de benefício fiscal, a exemplo das isenções de impostos concedidas pelo governo federal para a Federação Internacional de Futebol (Fifa), empresas associadas e para gastos com material nas obras dos estádios.

Segundo Emanuel Guerra, esses custos são altos e não há previsão de reembolso pelo governo federal. “A minha proposta é que, em vez dessa conta ficar para o estado ou o município, haja uma fórmula para que eles possam receber de volta esses recursos, que são muito grandes. Só o projeto ambiental do Amazonas para o novo estádio que será construído para a Copa, a Arena do Amazonas, vai custar R$ 6 milhões”.

Na oficina foram discutidos os procedimentos para licenciamento ambiental dos projetos que serão executados nas 12 cidades-sede do evento: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife e Salvador.

O coordenador da Câmara de Meio Ambiente da Copa de 2014 do Ministério do Esporte, Cláudio Langone, informou que a oficina vai produzir um documento com no máximo dez sugestões ao governo federal sobre as questões envolvendo licenciamento ambiental para a Copa. Ele disse que o objetivo é evitar que eventuais divergências entre os responsáveis pelas obras e os órgãos ligados ao meio ambiente ou o Ministério Público acabem na justiça e atrasem o cronograma determinado pela Fifa.

Fonte: Jornal O Povo

terça-feira, 25 de maio de 2010

Metade dos brasileiros admite comprar produto pirata

Por: RAQUEL LANDIM E MARCELO REHDER Agencia Estado

No dia 23 de abril, o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr, assumiu a presidência do Conselho Nacional de Combate a Pirataria. Apenas 19 dias depois foi afastado de suas funções, depois que o ?Estado? revelou seu relacionamento com Li Kwok Kwen, um dos líderes da máfia chinesa. O "amigo" do mafioso comandava o órgão responsável por resolver um dos problemas mais complicados do País.

Todos os dados que envolvem esse "setor" são nebulosos, mas estimativas apontam que o Brasil perdeu US$ 20 bilhões com pirataria no ano passado, em impostos não arrecadados e prejuízos para as empresas, conforme a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). Pesquisa da Federação do Comércio (Fecomércio-RJ) apontou que quase metade (46%) dos brasileiros admite que comprou produtos falsos em 2009. A maior parte sabe que pirataria causa desemprego (63%) e financia o crime (69%). Ainda assim, o preço é decisivo: 94% compram porque é mais barato.

Se for incluído o contrabando e demais atividades que cercam o comércio ilegal, a economia informal movimenta R$ 850 bilhões por ano, ou 30% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco).

A pirataria foi definida pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) como o crime do século. Segundo a Câmara de Comércio Internacional, a pirataria movimenta cerca de 7% do comércio mundial, ou US$ 600 bilhões, superando os US$ 360 bilhões do narcotráfico.

"O ambulante é apenas o elo mais fraco de uma máfia poderosíssima", disse o presidente do Etco, André Franco Montoro Filho. Na sua avaliação, todos são afetados: empresas têm prejuízo, postos de trabalho são fechados e o consumidor fica sem garantia e proteção.

Apesar disso, é difícil combater a pirataria no Brasil. O primeiro motivo é a corrupção. O segundo é a extensão das fronteiras e a falta de fiscalização. O contingente da Receita Federal em todos os portos brasileiros é parecido com o número de fiscais do Porto de Hamburgo, na Alemanha, onde há 3 mil funcionários.

Outros fatores que prejudicam o combate à falsificação são o baixo poder aquisitivo dos consumidores, cultura e até inovação tecnológica. A internet facilita a vida das pessoas, mas também a dos piratas. "O melhor caminho é barrar no porto. Uma vez que entra, fica mais difícil", diz Luiz Claudio Garé, consultor jurídico do Grupo de Proteção à Marca, que reúne empresas como Bic, Nike e Chanel. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Brasil já usa crediário como os EUA

Modalidades de pessoa física no Brasil, excluindo empréstimo imobiliário, atingem 15% do PIB, contra 17,2% nos Estados Unidos

Por: Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo

Embalado pela queda dos juros e pelo aumento da renda, o crédito pessoal para o consumo disparou no Brasil desde 2002, passando de 5,1% do PIB para 15% do PIB em 2009, ou R$ 487,5 bilhões. Com essa alta, esse segmento dos empréstimos, que exclui o crédito imobiliário, já atinge nível próximo ao dos Estados Unidos, maior sociedade de consumo do planeta. Em 2009, o crédito para consumo pessoal nos EUA foi de 17,2% do PIB.

"O Brasil descobriu o crédito ao consumo nos últimos anos", diz Sérgio Vale, economista da MB Associados, que fez aquela comparação baseado em dados do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, BC americano.

Segundo ele, no caso dos dados americanos, o peso do cartão de crédito é maior, já que essa modalidade é a principal do crédito pessoal no país. No Brasil, o financiamento para automóveis, o crédito direto ao consumidor, o consignado, o cheque especial, o cartão de crédito e o crédito pessoal são linhas do crédito à pessoa física, voltado basicamente à extensão da capacidade de consumo das famílias.

De acordo com recente relatório da consultoria LCA, o crédito à pessoa física foi o segmento que mais cresceu no boom do crédito total no Brasil, que subiu de 24,6% do PIB em 2003 para o recorde de 45% em 2009. O trabalho mostra que o crédito à pessoa física com recursos livres (que é basicamente de consumo) teve crescimento real de 249% do fim de 2003 ao fim de 2009. Isso se compara com a expansão, no período, de 135% do crédito com recursos livres para empresas, e de 112% do crédito com recursos direcionados.

Os especialistas apontam, como razão para a forte expansão do crédito para consumo, a combinação entre queda de juros e alongamento de prazos, aumento de renda e a chamada "bancarização" – a ampliação do número de brasileiros com contas bancárias. De acordo com o trabalho da LCA, para um crescimento da população brasileira de 7% de 2004 a 2009, houve ampliação de mais de 200% no número de contas correntes e contas de poupança simplificadas.

Migração

O aumento da renda, por sua vez, fica claro na migração de brasileiros entre as classe econômicas. Entre 2005 e 2009, as classes D e E caíram de 93 milhões para 67 milhões de pessoas, enquanto a classe C cresceu de 63 milhões para 93 milhões, e as classes A e B saíram de 26,5 milhões para 30,2 milhões.

Como explica Walter Malieni, diretor de crédito do Banco do Brasil, o alongamento do prazo do financiamento, a diminuição da taxa de juros e o aumento dos salários combinam-se para ampliar a capacidade de endividamento das famílias, sem comprometimento maior da renda mensal. "Os nossos estudos indicam que prazo, taxa, massa salarial e confiança do consumidor interferem de forma direta na capacidade e na disposição de endividamento das pessoas físicas", diz Malieni.

O trabalho da LCA, porém, aponta que o comprometimento da renda dos brasileiros com o serviço das dívidas cresceu de 5% em 2001 para cerca de 18% em 2009, mais do que o mesmo indicador nos Estados Unidos, de pouco mais de 15%.

Segundo o BC, o spread médio das operações de crédito à pessoa física em março de 2010 era de 29 pontos porcentuais ao ano, e o prazo médio era de 526 dias. Em dezembro de 2002, o spread médio era de 54,5 pontos e o prazo médio de 317 dias.

O aumento dos empréstimos à pessoa física levou a uma explosão do consumo de produtos mais ligados ao crédito. O economista Bráulio Borges, da LCA, nota que o volume de vendas médias mensais de móveis e eletrodomésticos cresceu 167% entre 2002 e o primeiro trimestre de 2010. Já o número de automóveis vendidos, nacionais e importados, variou entre 1,2 e 1,3 milhão de 2000 a 2004, antes de iniciar a forte alta que elevou o total a 2,5 milhões em 2009.

As vendas de computadores saíram de perto de 3 milhões no início da década para 12 milhões em 2009, com projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) de 14 milhões para este ano.

Bancos

A explosão do crédito à pessoa física refletiu-se na carteira dos maiores bancos. No Banco do Brasil, saltou de R$ 24 bilhões em dezembro de 2006 para R$ 95 bilhões em março de 2010, quase 300%. Esse total inclui crédito imobiliário, mas é uma fração muito pequena (embora esteja crescendo). O maior salto no período foi no financiamento a veículos, de R$ 918 milhões para R$ 8,9 bilhões – 865%. A linha mais volumosa, em março de 2010, era o crédito consignado, com R$ 31 bilhões, e uma alta de 277% naquele período.

Já no Bradesco a carteira total de crédito à pessoa física cresceu, nos 12 meses até março, de R$ 73,7 bilhões para R$ 86 bilhões – 16,7%. Em março de 2010, o financiamento de veículos atingiu R$ 21 bilhões, alta de 5,5% em 12 meses; e o consignado a R$ 11,5 bilhões, alta de 64%.

domingo, 23 de maio de 2010

Brasileiro trabalha até dia 28 apenas para pagar tributos

O Impostômetro (painel na capital paulista que registra, em tempo real, a carga tributária no país), marcava nesta quinta-feira mais de R$ 460 bilhões

Os brasileiros terão de trabalhar até a sexta-feira da próxima semana, dia 28 de maio, apenas para cumprir suas obrigações tributárias com os fiscos federal, estaduais e municipais. Ao todo, serão 148 dias de trabalho no ano, um dia a mais do que os trabalhados em 2009 e o mesmo número de 2008.

O cálculo faz parte do estudo sobre os dias trabalhados para pagar tributos, divulgado nesta quinta-feira, 20, pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Segundo o estudo, hoje os brasileiros trabalham quase o dobro do que trabalhavam na década de 1970 (76 dias) apenas para os fiscos.

Os brasileiros estão entre os que mais pagam tributos no mundo, ficando atrás apenas para os suecos (185 dias) e os franceses (149 dias). Os espanhóis (137), os norte-americanos (102), os argentinos (97), os chilenos (92) e os mexicanos (91) trabalham menos do que os brasileiros para pagarem os impostos.

O Impostômetro (painel na capital paulista que registra, em tempo real, a carga tributária no país), marcava nesta quinta-feira mais de R$ 460 bilhões.

Os 148 dias foram calculados para o rendimento médio mensal. Para a baixa renda (até R$ 3.000), são 141 dias trabalho (de 1º de janeiro até hoje). Para a média renda (R$ 3.000 a R$ 10 mil), são 157 dias, ou seja, até 6 de junho. Para a renda alta (mais de R$ 10 mil), serão 152 dias - até 1º de junho.

Fonte:: Redação O Povo Online com informações da Folha Online

sábado, 22 de maio de 2010

Deficientes visuais discutem acesso ao mercado de trabalho

De acordo com Defendi, em São Paulo estima-se que há 112 mil pessoas com todos os tipos de deficiências empregadas e algo em torno de 5% sendo deficientes visuais, o que corresponde a 12 mil pessoas

Após o sistema de cotas estabelecido por lei federal, em 1991 o mercado de trabalho para os deficientes visuais no Brasil melhorou, mas ainda não é o ideal, afirmou nesta sexta-feira, 21, o coordenador do Programa de Empregabilidade da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Edson Luiz Defendi. Segundo ele, apenas no início do ano 2000 a fiscalização começou a ser feita com mais rigor pelas superintendências regionais do Trabalho.

De acordo com Defendi, em São Paulo estima-se que há 112 mil pessoas com todos os tipos de deficiências empregadas e algo em torno de 5% sendo deficientes visuais, o que corresponde a 12 mil pessoas. “Essa lei ajudou muito na inclusão profissional de pessoas com qualquer tipo de deficiência e, de certa maneira, reflete a necessidade de colocar em prática questões tão importantes em relação a competência da pessoa com deficiência em seus postos de trabalho”.

Entretanto, mesmo com o sistema de cotas e a fiscalização, ainda há muita dificuldade para o deficiente visual conseguir um emprego, já que as empresas não têm a clareza das habilidades dessas pessoas e veem como custos o investimento em ferramentas necessárias para auxiliar o deficiente visual.

“O que estamos fazendo é um trabalho de quebrar a resistência e as atitudes de preconceito em relação a essa exclusão. A tecnologia é essencial para o deficiente visual no mercado de trabalho e há muitas empresas que buscam pessoas com deficiência visual porque precisam cumprir o sistema de cotas ou porque têm uma cultura de diversidade e acreditam que a pessoa com deficiência pode ter direito a ser produtiva e a trabalhar”, comenta Defendi.

O presidente da Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), Markiano Charan, disse que a maioria das empresas ainda não se conscientizou da importância do trabalho para essas pessoas e muitas procuram fugir do cumprimento da lei. “As empresas não entenderam que não estão fazendo um favor para o deficiente. É um direito dessa pessoa trabalhar. As empresas dizem que não há pessoas capacitadas e isso é uma armadilha na qual não podemos cair”.

Charan reforçou que, além da Adeva outras entidades dão apoio ao deficiente visual, com cursos de qualificação e treinamentos em diversas áreas. “O funcionário deficiente visual pode ser tão eficiente quanto aquele que não tem deficiência. As pessoas que fazem os cursos oferecidos pelas entidades saem muito preparadas para o mercado de trabalho. Ainda há muito preconceito da sociedade com relação a essas pessoas, e para diminuir isso precisamos levar informação à população”.

A analista de desenvolvimento humano, Priscila Branca Neves, que trabalha na coordenação do programa de empregabilidade do Serasa Experian, e é cega, ressaltou que a adaptação necessária para o deficiente visual trabalhar é um software leitor de tela. “É um programa que lê tudo o que está na tela do computador e fala, porque precisamos ouvir o que está lá. Tudo o que fazemos ele lê e nós ouvimos por um fone de ouvido. Muitas empresas ainda não têm clareza com relação a isso. Se eu tenho um programa desse no computador eu consigo fazer tudo o que uma pessoa sem deficiência faz”.

Priscila disse que as empresas ainda contratam pessoas com deficiências leves apenas para cumprir com a lei, porque julgam que essas pessoas produzirão mais e não darão tanto trabalho para aprender suas funções, ou que dão muito gasto, porque é preciso do investimento nesse software que custa R$ 2.500,00. “Mas não entendem que se houver as ferramentas necessárias ela se desenvolverá tanto quanto qualquer outra pessoa.”

Fonte: Caderno Negócios Jornal O Povo